Calango
Tropidurus torquatus
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 10
O calango malha em público. Sobe numa pedra bem visível e começa a subir e descer o corpo, flexão atrás de flexão, como quem treina pro verão. Só que não é exercício, é conversa: as flexões e os acenos de cabeça são o jeito dele de avisar os vizinhos que aquela pedra tem dono. E de chamar a atenção das fêmeas, claro.
A gente encontrou o da foto nas pedras de Paúba. A Déia perguntou: que lagarto é esse? E é uma boa pergunta, porque ele é mestre em não ser visto: o dorso cinza e marrom copia tão bem a cor da pedra que ele só aparece quando resolve correr.
De perto, dá pra ver que a pele é toda áspera, de escamas com quilha, e que o macho usa um colar: uma faixa escura no pescoço, que deu nome à espécie. Torquatus quer dizer justamente isso, o que tem colar.
O dia dele é uma rotina de rei da pedra: esquentar o corpo no sol, vigiar o território, e comer o que aparecer, principalmente inseto, mas também flor e frutinha quando dá. Um calango de cardápio aberto.
E se um predador chegar perto demais? Primeiro, fuga em zigue-zague. Se a coisa apertar de vez, ele usa o truque final dos lagartos: solta um pedaço da própria cauda, que fica se mexendo sozinha no chão. O inimigo se distrai com a cauda, e o calango escapa pra contar a história.
Agora toda pedra grande vira brincadeira: acha o calango. Se ele começar a fazer flexão, pode rir, mas respeita. É o dono da pedra falando.