Calendário naturalista de Julho

Julho é o mês mais seco e mais frio. A mata parece parada, mas não está: é perto do córrego e da cachoeira, onde a umidade nunca sai, que se encontra quase tudo o que ainda se mexe.

Insetos

Em julho é provável ver a falsa-erato, a asa-de-mapa e a borboleta-fantasma-amarela. A asa-de-mapa tem o desenho da asa parecido com linha de mapa velho. A borboleta-azul aparece nos dias de sol e some quando fecha o tempo.

Plantas

Em julho é provável ver o embiruçu florido: ele perde a folha toda e fica só com as flores brancas de fios compridos, que abrem de noite para os morcegos. O algodoeiro-da-praia abre flor amarela de manhã e ela vira vermelha antes de cair, no mesmo dia.

Aves

O bando misto continua junto no frio. O saí-verde procura flor, o pixoxó fica no capim e o sabiá-coleira canta cedo, quando ainda está escuro.

Fungos

No inverno seco o cogumelo rareia, e é perto da cachoeira e do córrego, onde a umidade não sai, que ainda se encontra. Ali cresce fungo de leque duro na madeira e líquen alaranjado na casca das árvores.

Aracnídeos

A caranguejeira passa o dia na toca e sai de noite. Ela não corre atrás da presa: espera na entrada e sente pelo chão a vibração de quem passa. Os pelos das costas dela coçam a pele de quem tenta pegar.

Anfíbios

As pererecas atravessam o inverno paradas na folha, mais quietas do que no calor. Perto de córrego e cachoeira é onde ficam, porque a pele delas precisa de água o tempo todo.

Répteis

O calango toma sol na pedra e mergulha na fresta assim que a sombra chega. No inverno ele passa mais tempo no sol do que no resto do ano, porque precisa esquentar para conseguir caçar.

Mamíferos

Em julho é provável ver o boto-cinza. Ele é caseiro: escolhe um pedaço de mar e passa a vida voltando às mesmas baías e enseadas, e o nosso mar é um desses lugares. É um golfinho pequeno, de costas cinza-escuras e barriga clara, que prefere água rasa.

Peixes

A tainha desce a costa em cardume grande no inverno, e é possível ver a mancha escura dela na água a partir da pedra.

_orquideas

No inverno as orquídeas descansam, e é quando dá para ver bem a raiz delas, branca e grossa, enrolada na casca da árvore. É essa raiz que bebe a chuva e segura a planta no lugar.

_frutas

Sobra pouca fruta no inverno, e quem segura os bichos é a figueira, que não para o ano inteiro. O ripsális floresce pendurado no galho: ele é um cacto que mora na mata úmida, e não no deserto como a maioria da família.

Cnidários

A anêmona-das-bermudas é vermelha e fica no costão, e quando a maré baixa ela recolhe os braços e vira uma bola brilhante grudada na rocha, para não secar.

Equinodermos

A pinaúna é o ouriço-preto que cava a própria cova na pedra, girando os espinhos até abrir um buraco do tamanho dele. Fica ali a vida inteira e sai só para raspar alga em volta.

por_do_sol

Em julho o céu do pôr do sol é o mais limpo do ano, com tons frios e suaves atrás da serra. À noite, o centro da Via Láctea passa bem acima de Maresias.

_cores

Em julho o inverno pinta em pontos: o coral do mulungu, o vermelho intenso da paineira-vermelha sem folhas, o branco do embiruçu e, na mata alagada, a flor branca da caixeta, que acende quando o sol atravessa a copa.

Crustáceos

Em julho é provável ver o aratu-vermelho, que não cava toca: quando o perigo aperta, ele se enfia no buraco que outro caranguejo cavou na lama, e pode se dar a esse luxo porque é rápido demais. No costão, o caranguejo das fendas sabe o endereço da própria fenda e dispara direto para ela, sem pensar no caminho.

Registrado em julho

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