Beija-flor-cinza
Eupetomena cirrochloris
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 20
Esse é o beija-flor que ninguém repara, e é justamente o que ninguém deveria subestimar. O beija-flor-cinza parece apagado perto dos primos coloridos, mas é um dos mais brigões que existem: quando ele escolhe uma florada ou um bebedouro, defende com unhas e dentes, e não deixa nenhum outro pássaro chegar perto. Nenhum mesmo, nem de outra espécie.
O cinza, aliás, é meio enganação. À primeira vista a plumagem parece parda, sem graça. Mas quando a luz atravessa a copa e bate nele do jeito certo, aparecem reflexos verdes metálicos escondidos nas penas. É um pássaro que guarda o brilho pra quem tem paciência de olhar duas vezes.
E ele tem lá suas manias charmosas: é curioso, gosta de investigar o que acontece por perto, e toma banho em riachos da mata. Também não vive só de néctar: fica de tocaia num galho e sai em voos curtos pra capturar insetinhos entre as folhas, que são a parte de proteína do cardápio.
O ninho é uma obra de arte em miniatura: um copinho de fibras de plantas e teias de aranha, preso firme num galho. E quem faz tudo é a fêmea, sozinha: constrói, choca e cria os filhotes sem ajuda nenhuma.
Tem mais um motivo pra gostar dele: esse beija-flor só existe no Brasil. E gosta exatamente do tipo de lugar onde a gente vive, a beira de mata úmida e sombreada. Visitando flor por flor, ele vai levando o pólen de flor em flor, ajudando a mata a produzir sementes e frutos novos.
Essa foto foi na trilha da cachoeira. Ele parou num galho na meia-sombra, naquele jeito de dono do pedaço, e ficou me observando enquanto eu o observava.
Se aparecer um beija-flor acinzentado no jardim, presta atenção em quem manda nas flores. Se for ele, provavelmente é ele que manda.