Pinaúna
Echinometra lucunter
- Grupo
- Equinodermos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 7
Esse ouriço cava a própria casa. Na pedra. Raspando devagar com os espinhos e com os dentes, ele vai desgastando a rocha até abrir um buraco do tamanho dele, um nicho sob medida onde passa o dia encaixado, protegido das ondas e dos predadores. A pinaúna, como o pessoal chama por aqui, é uma escavadeira de espinhos.
E os dentes dela merecem capítulo próprio: dentro da boca, que fica embaixo do corpo, trabalham cinco dentes duros arrumados em círculo, uma boquinha de ferramenta que serve tanto pra raspar a rocha quanto pra pastar. Porque é isso que ela come: à noite, sai um pouquinho da toca pra raspar as algas que crescem na pedra, e antes do dia clarear volta pra casa.
Casa, aliás, que ela defende com unhas e dentes. Ou melhor, com espinhos e dentes: os cientistas já viram que, se um ouriço intruso aparece na porta de uma toca ocupada, o dono empurra e morde até o folgado desistir. Na maioria das brigas, quem mora ganha e o invasor vai embora procurar outro buraco.
E tem um presente escondido nesse trabalho todo: as tocas que gerações de pinaúnas cavaram viram esconderijo pra caranguejos, peixinhos e um monte de outros bichos. O costão fica cheio de quartinhos pra alugar, esculpidos por ouriço.
Essa foto fiz numa poça aqui de Maresias. Foi o Kaian quem achou primeiro, me chamando: pai, vem ver. Lá estava ela, uma coroa de espinhos escuros encaixada na rocha, no buraco que ela mesma fez.
Repara nos costões: aqueles buraquinhos redondos na pedra, cada um com seu ouriço dentro, são um bairro inteiro construído espinho por espinho.