Mugil
Mugil
- Grupo
- Peixes
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 6
A tainha tem moela, igual galinha. Como ela come raspando o lodo e a areia do fundo, engolindo terra junto com a comida, o estômago dela virou um moedor: uma parte musculosa e forte que tritura tudo, do jeito que a moela da galinha faz com os grãos. Um peixe com equipamento de ave, quem imaginaria.
Tainha, parati, os peixes desse grupo são aqueles prateados de escama grande que todo mundo do litoral conhece. E o jeito de comer deles é dos mais humildes do mar: ficam "pastando" no fundo, chupando o sedimento e aproveitando as microalgas e os restinhos orgânicos que vêm junto. Fazem faxina no fundo do mar e ainda saem almoçadas.
Agora, o número mais famoso delas é outro: o salto. Tainha pula fora da água, às vezes várias vezes seguidas, e esse pulo intriga os estudiosos até hoje. Uma das explicações é que elas saltam mais quando a água está com pouco oxigênio, como quem sobe pra tomar um ar. Seja qual for o motivo, é a assinatura delas: aquele "ploc" prateado que denuncia o cardume.
Foi um pulo desses que rendeu a cena aqui de casa: a gente estava olhando o mar, aqui em Maresias, quando uma saltou perto, e a Déia perguntou: que peixe é esse que pula? Esse, respondi. É esse.
Da próxima vez que ouvir um "ploc" na água calma, olha rápido. As ondinhas em círculo são o recado: o cardume das saltadoras está passando.