Coruja-buraqueira
Athene cunicularia
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 17
Essa coruja usa isca pra atrair o jantar. A coruja-buraqueira espalha fezes de animais grandes na entrada da toca, de propósito. O cheiro chama os besouros que vivem de estrume, e eles voam direto pra porta da casa dela. Aí é só ficar esperando a comida chegar em domicílio. E funciona: as tocas com estrume chegam a ter dez vezes mais besouros do que as tocas sem. Uma coruja que pesca besouro usando cocô de isca.
E ela é diferente das primas em quase tudo. Pra começar, mora embaixo da terra: o ninho fica numa toca no chão, muitas vezes aproveitada de tatus e roedores, ou cavada por ela mesma quando o solo deixa. Daí o nome buraqueira. E enquanto a maioria das corujas só trabalha de noite, ela fica ativa também de dia, em pé ao lado da toca, naquela pose de sentinela, girando a cabeça pra acompanhar tudo que se mexe.
É fácil de reconhecer: pequena, de pernas compridas, olhos amarelos intensos e sobrancelhas brancas bem marcadas, como se estivesse sempre prestando atenção em você. E está.
Os filhotes têm um truque próprio, desses de arrepiar: quando algum bicho ameaça entrar na toca, eles soltam um som que imita o chocalho de uma cascavel. O predador ouve aquilo vindo do buraco escuro, acha que tem cobra venenosa lá dentro e desiste. Filhote de coruja fazendo dublagem de cobra pra se defender.
A família fica semanas nos arredores da toca: os pais vigiam sem descanso e fazem voos rasantes pra espantar intrusos, enquanto os jovens treinam voos curtos na porta de casa, aprendendo o ofício.
Essa foto foi num terreno aberto perto de casa, aqui em Maresias, e foi o Kaian quem viu primeiro: ela estava paradinha, em pé, nos encarando de longe.
Agora você já sabe o segredo dela. Se um dia vir uma coruja pequena em pé num campo, de dia, olhando firme pra você, procura o buraco por perto. Ali embaixo tem uma casa, e talvez uma armadilha de besouros funcionando na porta.