Savacu-de-coroa
Nyctanassa violacea
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 14
Na hora em que a gente vai jantar, ele está acordando. O savacu-de-coroa é um socó de hábitos noturnos: passa o dia sossegado e sai pra caçar no escurinho, quando o mangue vira o território dele.
E o prato favorito não podia ser mais trabalhoso: caranguejo. Casca dura, pinça afiada, e ele nem se importa. O bico dele é grosso e forte, feito de propósito pra dar conta de presa blindada. Os olhos grandes completam o equipamento, enxergando bem naquela hora em que a luz vai embora.
O nome vem do detalhe chique: os adultos carregam no alto da cabeça uma coroa amarelo-dourada, sobre o corpo cinza-ardósia e a cabeça escura com uma faixa clara no rosto. Já os filhotes são de outro figurino: marrons e todos rajados, uma camuflagem que os esconde entre galhos e raízes.
A caçada é de mestre da paciência. Ele anda devagar, para, espera. Fica um tempão imóvel, e de repente o bote sai rápido demais pra o caranguejo reclamar. O da foto, aqui em São Sebastião, estava bem no meio desse ritual: parado feito estátua, concentrado, me ignorando por completo.
Tem mais uma coisa bonita nele: o savacu conta a saúde do mangue. Onde a maré funciona e tem caranguejo à vontade, ele aparece. É como um fiscal de penas: a presença dele é um bom sinal.
No fim da tarde, perto de mangue ou costão, vale caçar com os olhos um vulto cinza de coroa dourada. Se achar, faz igual a ele: fica quieto e espera. A caçada pode começar bem na sua frente.