Ormosias
Ormosia
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Praia As Ilhas
- Fotografias
- 6
Vermelha e preta, dura feito pedrinha, e sem nada de comer dentro. Mesmo assim o passarinho leva.
A semente dessas árvores é um dos truques mais descarados da mata. É lisa, brilhante, pintada de vermelho vivo com uma mancha preta, exatamente do jeito de uma fruta madura pronta pra comer. O pássaro vê a cor, desce, bica, arranca. E descobre que arrancou uma pedra: não tem polpa, não tem doce, não tem nada.
Os pesquisadores deram nome a isso: sementes miméticas. Um trabalho publicado em 1998 acompanhou três espécies desse grupo e mostrou que duas delas enganam mesmo as aves comedoras de fruta, que carregam a semente um trecho antes de largar. Não acontece toda hora, as taxas são baixinhas, mas acontece. E cada semente largada longe do pé é uma árvore nova com chance de crescer.
Cabe dizer com todas as letras: essa página é do grupo, não de uma espécie. São árvores de um gênero inteiro, todas parentes, e o que se conhece bem é o que elas têm em comum.
Tem uma segunda camada na história. O vermelho também pode ser aviso, porque dentro da semente existem alcaloides, substâncias tóxicas. Numa das espécies do grupo, a olho-de-cabra, testaram isso com cutias e descobriram uma coisa engraçada: o veneno impede a cutia de comer a semente, mas não impede ela de enterrar. A cutia esconde a comida no chão pra depois, não consegue comer, e esquece onde deixou.
Resumindo: o pássaro é enganado, a cutia é envenenada, e as duas acabam plantando a árvore do mesmo jeito.
Encontrei essa na Praia As Ilhas, aqui em São Sebastião.
O lugar de procurar é o chão, embaixo das árvores grandes, de preferência depois de um dia de vento. Ela se entrega pela cor: um brilho vermelho no meio da folha seca, que qualquer olho acha de longe. E era exatamente pra isso que ela tinha sido pintada.