Biguá
Nannopterum brasilianum
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 10
Sabe por que o biguá fica horas paradão, de asas abertas, feito uma estátua na pedra? Ele está secando a roupa. As penas dele não são à prova d'água como as dos patos: deixam a água entrar de propósito. Encharcado, ele boia menos e afunda mais fácil, o que faz dele um mergulhador de primeira. O preço é esse: depois da pescaria, precisa parar ao sol de braços abertos até secar.
E que pescaria. O biguá mergulha da superfície e sai perseguindo o peixe debaixo d'água, empurrando o corpo com patadas fortes, o pescoço comprido serpenteando atrás da presa. Quando pega, sobe num galho ou numa pedra pra engolir com calma.
De longe parece só um pássaro escuro e magro. De perto dá pra ver a pele clarinha no papo e um desenho amarelo na base do bico. E ele não é exigente com endereço: rio, lagoa, canto de praia, mangue, onde tem peixe o biguá aparece.
Ele também gosta de companhia. Dorme em bando e cria os filhotes em colônia, em ninhos de graveto montados em árvores debruçadas sobre a água. Os filhotes comem peixe que os pais trazem no papo.
Essa foto fiz aqui em Maresias. Ele estava naquela pose de estátua, asas abertas, e a Déia perguntou: o que ele tá fazendo? Secando a roupa, oras.
Agora você já sabe: biguá de asa aberta não está se exibindo. Está pendurando as penas no varal.