Calendário naturalista de Dezembro

Dezembro abre o verão com chuva forte e calor. A fruta volta em quantidade e a mata fica cheia outra vez, de barulho, de mosquito, de bicho novo aprendendo a andar atrás dos pais.

Insetos

O besouro-rola-bosta empurra a bola de esterco de costas, com as patas de trás, guiando-se pela posição do sol. Ele enterra a bola e põe o ovo dentro, e assim limpa o chão da mata. A borboleta-emília é azul-clara e miúda, e voa baixo no capim.

Plantas

O guanandi, a grumixama e o tapiá estão com fruto, e a jabuticaba volta a florescer no tronco. O cataseto é uma orquídea que atira o pólen no inseto quando ele encosta no lugar certo, com força suficiente para grudar.

Aves

A tiriba-de-testa-vermelha anda em bando barulhento e some no verde assim que pousa, porque é toda verde. O sabiá-barranco canta no fim da tarde, e o sabiá-coleira canta antes de clarear.

Fungos

Dezembro é mês de chuva forte, e o cogumelo brota na madeira caída de um dia para o outro. Alguns duram poucas horas e desmancham antes da noite.

Aracnídeos

A ctenus caça no chão à noite, sem teia, e os olhos dela devolvem a luz da lanterna. A tomísia fica parada na flor esperando a abelha. E a de teia redonda desmancha tudo e refaz quando a teia estraga.

Anfíbios

Em dezembro é provável ver a perereca-grudenta e a rã-manteiga. Com a chuva forte o brejo enche e elas cantam a noite inteira. O cururu-amarelo é grande e pesado, anda devagar pelo chão e não pula quase nada.

Répteis

A cobra-d'água caça sapo e peixe dentro do brejo e não é peçonhenta. No verão ela fica mais ativa, porque o calor é o que dá energia ao corpo dela.

Peixes

O sargentinho tem listras pretas no corpo claro e vive em cardume junto às pedras. O macho guarda os ovos grudados na rocha e enxota qualquer peixe que chegue perto, por maior que seja.

Moluscos

Depois da chuva a lesma sai e deixa no chão o rastro que brilha, e some no folhiço assim que o sol aparece.

_orquideas

O véu-de-noiva abre flores brancas em cacho, e o cataseto e a orquídea-vespa seguem floridos. No calor com chuva a orquídea cresce mais, porque é da chuva que escorre no tronco que ela tira quase tudo.

_frutas

O verão traz a fruta de volta em quantidade: embaúba, tapiá, joão-mole, chal-chal e grumixama. A jabuticaba floresce outra vez no tronco. E a figueira, como sempre, não para: quem a poliniza é uma vespa minúscula que entra no figo e não sai mais.

Crustáceos

O tatuí se enterra na areia molhada onde a onda quebra e fica só com as antenas de fora, filtrando o que a água traz. Cada onda que sobe e desce serve uma refeição para ele. O pitu vive no riacho, longe do mar.

por_do_sol

Dezembro é o verdadeiro show: o sol desce no mar todos os dias, na frente de Maresias, e o verão carrega o céu de umidade e cor.

_cores

Em dezembro começa o verão da serra: o manacá-da-serra abre as três cores, o jacatirão-açu pinta manchas brancas e a caixeta termina a longa florada na mata alagada.

Equinodermos

Em dezembro é provável ver a estrela-do-mar de nove braços. Quase toda estrela tem cinco; essa tem nove, longos e finos, saindo de um miolo pequeno, e aberta pode passar de trinta centímetros. Vive no fundo de areia, com a cor imitando o chão.

Registrado em dezembro

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