Tatuí
Emerita brasiliensis
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
Toda vez que uma onda vai embora, o tatuí põe a mesa. Ele estica pra fora da areia duas antenas cheias de franjas, parecendo dois bigodes plumosos, e usa elas de rede: peneira a água que escorre de volta pro mar, catando a comidinha que cada onda deixa. Onda vai, onda vem, e ele ali, de bigode armado, almoçando.
Ele é aquele bichinho oval e lisinho, cor de areia, que vive na beirinha da água, bem na faixa do vai-e-vem. Não tem pinça, não belisca, não faz mal nenhum. O talento dele é outro: cavar de ré. Solta ele na areia molhada e, em segundos, ele afunda de costas e some.
E o tatuí surfa, do jeito dele. Conforme a maré sobe e desce, ele se deixa levar pelas ondas, uns centímetros pra cima, uns centímetros pra baixo, sempre acompanhando a beirinha da água, que é onde a comida passa.
Muita gente da praia conhece ele bem: os peixes da arrebentação e as aves vivem à procura de tatuí, e os pescadores usam ele de isca. Quando a praia tem tatuí em quantidade, é bom sinal: areia viva, mar saudável.
Essa foto fiz na beira da água, aqui em Maresias. Foi o Kaian quem achou o primeiro, cavucando a areia molhada. Ele faz cosquinha na palma da mão antes de escapar, cavando de ré pra fugir de volta.
Quer conhecer um? Na próxima praia, espera a onda recuar e afunda as mãos na areia fofa da beirinha. Se vier uma cosquinha, parabéns: você apertou a mão de um tatuí.