Azulão

Cyanoloxia brissonii

Grupo
Aves
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Fotografias
5

O canto do azulão é tão bonito que virou o maior perigo da vida dele. Gente má captura esse pássaro pra vender preso em gaiola, só por causa da voz e do azul. É triste: o dom que a natureza deu de presente virou motivo de caçada. Por isso, cada azulão cantando livre na mata é uma pequena vitória.

E que azul. O macho é de um azul profundo, quase ultramarino, com a máscara e as asas mais escuras, um veludo de pássaro. A fêmea é toda parda, discreta, e isso é esperteza: no ninho, ela praticamente some no meio da vegetação, e quem passa por perto nem desconfia que ela está ali.

Ele canta de manhã cedo, de um poleiro exposto, uma melodia forte e enrolada que atravessa a capoeira. É o jeito dele dizer: esse canto de mata tem dono.

O bico conta o resto da história: grosso e poderoso, uma ferramenta de quebrar sementes duras que outros pássaros desistem de abrir. Semente é o prato principal, mas na época dos filhotes entram insetos no cardápio, que é comida mais forte pra quem está crescendo. O ninho é uma taça armada no meio dos galhos fechados.

Essa foto fiz no caminho da praia, aqui em Maresias, ele apareceu na beira de uma moita, aquele azul impossível de ignorar.

Se você ouvir um canto bonito vindo de uma moita, procura o cantor, mas deixa ele onde está. Azulão bom é azulão solto, cantando porque quer.

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