Pixirica
Miconia crenata
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
A flor da pixirica só abre o pote de pólen pra quem sabe a senha. E a senha é uma vibração. A abelha certa pousa na flor, agarra firme e faz o corpo tremer num zumbido especial, num tom exato. É esse tremor que sacode o pólen pra fora, como sal saindo do saleiro. Abelha que não sabe tremer do jeito certo vai embora de mãos vazias.
Depois dessa fechadura toda, a recompensa fica pra todo mundo: as frutinhas. Elas amadurecem no verão, roxo-escuras, quase pretas, com polpa azulada e docinha. Dá pra gente comer, sim, e a passarada nem espera convite: saíra, tiê, sanhaço, sabiá, o sub-bosque inteiro desfila pela moita.
A planta em si é um arbusto de gente humilde: folhas ásperas ao toque, com as nervuras bem desenhadas, parecendo costuradas. Vive nas bordas da mata e nas capoeiras, aproveitando a luz que entra pelas beiradas.
Aqui, na terra dela, a pixirica é uma cidadã de bem, parte da engrenagem da mata. Mas levada pra longe, pra terras onde não nasceu, ela virou praga famosa, se espalhando sem controle. A mesma planta, herói em casa, vilã fora dela. É um lembrete de que cada espécie pertence ao seu lugar.
A da foto vive aqui perto, em Maresias, e nesse dia foi o Kaian que me chamou: pai, vem ver as frutinhas roxas.
Agora, quando a gente cruzar com uma pixirica florida, para e escuta. Se ouvir um zumbido mais grave e insistente que o normal, é uma abelha digitando a senha.