Dahlstedtia pinnata
Dahlstedtia pinnata
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 11
Tem beija-flor que rouba dessa árvore. As flores são tubos de um rosa bem escuro, apertados num cacho denso, e o combinado é simples: o passarinho enfia o bico pela boca do tubo, bebe o néctar lá no fundo e sai com pólen na cabeça, que ele entrega na flor seguinte. Só que um deles, o rabo-branco-rubro, resolveu burlar o pedágio. Chega pelo lado, tira o néctar sem encostar no pólen e vai embora sem pagar nada.
Pesquisadores acompanharam uma dessas árvores por um ano na Mata Atlântica do Rio e viram o esquema funcionando quase com hora marcada. As visitas honestas acontecem de manhã cedo. Os roubos vêm mais tarde, do fim da manhã para a tarde. E de cada cem visitas de furto, setenta e oito eram do mesmo ladrão.
A árvore tem hora do expediente e hora do assalto.
Ela também fede. Sério. As folhas são cheias de pontinhos, que são glândulas de óleo, e tem glândula igual no cálice das flores. Esse óleo dá um cheiro forte e desagradável, e é uma assinatura do grupo dela.
As plantas desse mesmo gênero, aliás, entraram na lista dos timbós, que é o nome que se dá a plantas usadas para atordoar peixe na água e facilitar a pesca. Isso vale para o gênero inteiro, não é história só dessa árvore aqui.
Grande ela não é: fica entre uns dois e oito metros, com a folha repartida em cinco ou sete folhinhas e uma vagem estreita, com cara de asa. E existe só aqui. Cresce na Mata Atlântica de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo, e em nenhum outro lugar do planeta. Quem conhece chama de suinã ou de crista-de-galo.
Essa foto foi na trilha da cachoeira, em Maresias. Eu estava sozinho na mata.
Se você achar um cacho rosa cheio de tubinhos e ouvir aquele zumbido rápido perto dele, presta atenção por onde o beija-flor entrou. Dá para saber na hora se ele é freguês ou se é gatuno.