Pitu
Macrobrachium carcinus
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 2
O pitu é o gigante dos camarões de água doce: o maior das Américas. Passa de trinta centímetros, maior que a régua da escola, e os braços dos machos são enormes, grossos, com tons azulados e esverdeados. Quem vê um pitu grande pela primeira vez custa a acreditar que aquilo é um camarão de rio.
E o gigante é alpinista. Quando encontra uma cachoeirinha ou uma pedra molhada no caminho, ele não desiste: escala. Agarrado na rocha úmida, vai subindo devagar até vencer o obstáculo e seguir rio acima. Tem força e teimosia de sobra.
Essa subida toda tem um motivo. O pitu mora no rio, mas os filhotes precisam começar a vida perto do mar, em água com um gostinho de sal. Então as mães descem o rio carregando milhares de ovos, os filhotes crescem lá embaixo, e depois fazem a grande viagem de volta, subindo o rio, cachoeira por cachoeira, até os trechos de água limpa onde vão viver. Por isso o pitu só existe onde o rio corre livre até o mar: se o caminho é barrado ou a água suja, a viagem acaba.
Ele caça de noite, patrulhando o fundo entre pedras e raízes: peixinho, bichinho, alga, restos, o que aparecer. De dia fica recolhido nas tocas.
É famoso e cobiçado: pescador daqui conhece o pitu pelo nome e pelo sabor, e em muitos rios ele ficou raro de tanto ser pescado. Encontrar um hoje é meio que um prêmio.
Esse da foto encontrei num rio aqui de Maresias, de noite, com os olhos dele brilhando na luz da lanterna.
Fica o convite pra imaginar: um camarão maior que uma régua, escalando uma cachoeira no escuro, voltando pra casa. O rio tem heróis que ninguém vê.