Lepidopa richmondi
Lepidopa richmondi
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
Debaixo dos seus pés, bem na faixa onde a onda quebra, mora um caranguejo que quase ninguém viu na vida. Não é raro, não: é escondido. Ele passa o tempo todo enterrado na areia, e é tão bom nisso que virou quase invisível.
O corpo dele foi todo desenhado pra cavar. As patas da frente funcionam como pás, e ele cava de ré: em segundos, afunda de costas na areia e desaparece, como se a praia tivesse engolido ele. A cor ajuda no sumiço, um bege acinzentado igualzinho ao da areia molhada.
Enterrado ali, ele fica alinhado com a água que entra e sai, catando as partículas de comida que cada onda traz. É um jeito curioso de viver: a casa dele é justamente o lugar mais batido da praia, onde a onda não para nunca.
A gente quase só encontra ele quando o mar fica bravo. Numa ressaca, as ondas revolvem a areia toda e às vezes desenterram um, que fica exposto por um instante antes de cavar de novo. Foi assim que consegui essa foto, num dia de ressaca na beira do mar, aqui em Maresias.
Fica a lição dele: aquela areia lisa, que parece vazia, é na verdade um prédio cheio de moradores. A gente só não recebeu o convite pra entrar.