Cururu-amarelo
Rhinella icterica
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 8
Aquela cantiga do sapo-cururu na beira do rio é biologia pura. O cururu-amarelo canta exatamente ali: na margem de brejos, lagoas e riachos mansos, nas noites da estação chuvosa. O nome também não é invenção de música: cururu vem da língua tupi e lembra o ronco grave que ele solta, aquele "cururururu" que atravessa a noite.
É um sapão de respeito, dos maiores da nossa região: corpo parrudo, pele toda verrucosa, cor amarelada puxando pro oliva, com cristas marcadas na cabeça. As fêmeas são ainda maiores que os machos. Quando um desses aparece no quintal, ninguém fica indiferente.
Aqui em casa foi assim: o Kaian me chamou de noite, pai, vem ver o sapão. Estava ali perto da porta, imponente, caçando os insetos que a luz atrai. Virou essa foto, aqui em Maresias.
Ele é um caçador noturno e nada enjoado: come inseto, aranha, o que se mexer no chão e couber na boca. Por isso sapo no quintal é sinal de sorte: é um controle de pragas gratuito, trabalhando toda noite.
Na reprodução, a fêmea impressiona: deposita milhares de ovos na água, em longos cordões de gelatina, como colares escuros enrolados entre as plantas. Dali sai uma nuvem de girinos pretos.
Um aviso de amigo: aquelas duas glândulas grandes atrás dos olhos guardam uma toxina forte, a defesa dele contra predadores. Pra gente, basta não apertar nem levar a mão à boca; pra cachorro curioso que tenta abocanhar, pode ser muito perigoso. O sapo não ataca ninguém: a defesa só funciona contra quem tenta mordê-lo.
Então, quando você ouvir o ronco grave dele na beira da água, lembra: é o dono da música mais antiga do repertório brasileiro, cantando ao vivo, de graça.