Aroeira-pimenteira
Schinus terebinthifolia
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 4
Aquela pimenta-rosa chique dos restaurantes nasce numa árvore de praia daqui. É isso mesmo: os grãozinhos cor-de-rosa que decoram prato sofisticado, que os franceses chamam de poivre rose, são o fruto da aroeira-pimenteira, uma árvore que cresce na restinga, na beira da mata e em qualquer terreno esquecido do nosso litoral. O tempero do mundo mora no nosso quintal.
E nem pimenta de verdade ela é. A pimenta-rosa é uma frutinha da família do caju e da manga, de sabor adocicado e perfumado, só de leve picante. Enganou o mundo inteiro com o nome, e conquistou o mundo inteiro com o aroma.
Agora, se pra gente ela é tempero, pra bicharada é supermercado. A lista de fregueses documentada é de impressionar: tucano-de-bico-verde e tucano-de-bico-preto, araçari, jacu, sabiá. E os de pelo: bugio, sagui, quati, mão-pelada e morcego. Poucas árvores daqui alimentam tanta gente diferente.
O segredo do sucesso é a constância. A aroeira floresce em nuvens de florzinhas claras que fervilham de abelhas nativas sem ferrão, e depois carrega cachos e cachos de frutinhas que amadurecem do rosa ao vermelho, do verão até o meio do inverno. Meio ano de despensa aberta, incluindo os meses magros em que a mata tem pouca fruta.
Ela ainda é do tipo desbravadora: onde o terreno foi maltratado, é das primeiras a voltar, crescendo rápido e chamando os passarinhos, que trazem no papo as sementes das outras árvores. Aroeira chega primeiro e vai arrumando a casa pra mata inteira voltar.
Essa foto fiz na praia do Indaiá, em Caraguatatuba. A gente tinha ido passear, eu, a Déia e o Kaian, e ela estava lá, carregada, com aquele movimento de sempre em volta.
E se um dia aparecer um prato chique com pimenta-rosa por cima, você pode soltar o segredo na mesa: isso aí é fruta de árvore de praia. E o tucano provou primeiro.