Maricá
Mimosa bimucronata
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 4
Um dos apelidos dessa árvore é aranha-gato, e o apelido é honesto. O galho dela é cheio de espinho curvo saindo entre uma folha e outra, virado pra trás como unha de gato. Quem passa raspando sai marcado.
Ela gosta de pé molhado. Onde tem beira de rio, brejo ou terreno baixo que alaga de vez em quando, ela chega e não chega sozinha: forma um matagal fechado, um monte de pés grudados, um paredão vivo de espinho. Aqui no litoral isso é comum na margem de córrego e em terreno úmido de baixada.
Ela foi tão eficiente nesse papel que ganhou um nome científico dizendo isso na cara. Durante muito tempo os livros chamaram ela de Mimosa sepiaria, e "sepiaria" quer dizer, mais ou menos, "de cerca". Muito antes de existir arame farpado, esse era o arame farpado.
A florada é uma nuvem branca. As flores são bolinhas pequenas juntadas em cachos que se projetam uns vinte centímetros pra fora da folhagem, então de longe parece que a copa está espumando. E o melhor: ela floresce e frutifica praticamente o ano todo, o que quer dizer que sempre tem abelha com serviço garantido naquele ponto do mato.
Os frutos novos são a surpresa. Antes de secar, ficam cor de vinho e lustrosos, brilhando no sol. Depois vão embora do vermelho, secam, e não abrem como uma vagem comum: eles se desmancham em pedacinhos, cada pedaço carregando uma semente pro chão.
Essa eu fotografei no Indaiá, em Caraguatatuba, num pedaço de terreno úmido, que é o endereço preferido dela.
Quem inventou o arame farpado achou que estava criando uma coisa nova. O maricá já fazia esse serviço na beira do rio muito antes, e com uma vantagem que nenhum arame conseguiu copiar: cerca de metal não fica branca de flor o ano inteiro.