Pau-cigarra
Senna multijuga
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
No cabo que segura a folha do pau-cigarra, logo onde saem os primeiros pares de folhinhas, existe uma glândula pequena que fica soltando líquido doce. Açúcar puro, no meio da folhagem, longe da flor. Não tem pétala ali, não tem pólen, não tem nada a ver com fazer semente. É doce de graça pra quem chegar.
Nas plantas que têm essas glândulas, quem aparece pra beber são as formigas. E formiga que descobriu bar aberto passa o dia patrulhando o lugar, subindo e descendo o galho, e enxotando lagarta que tenta comer folha. A conta é simples: a planta paga em açúcar e recebe segurança.
A folha dela é uma exagerada. São de sete a vinte e sete pares de folhinhas numa folha só, uma atrás da outra ao longo de um talo comprido. De longe você jura que está olhando um galho inteiro, mas é uma folha. Foi daí que veio o nome científico, que quer dizer mais ou menos "de muitos pares".
A florada é amarela, em cachos grandes na ponta dos ramos, e acontece do fim do ano até o meio do outono. Depois vêm as vagens, achatadas, compridas, com um repuxo no lugar de cada semente, que ficam penduradas de março até quase a primavera seguinte.
Ela é nossa e é daqui do litoral de verdade: os botânicos registram ela na restinga, na borda da mata e na mata úmida de encosta, do litoral sul do estado até o nosso pedaço aqui.
Os nomes populares dela são um caso à parte. Além de pau-cigarra, ela atende por aleluia, caquera, cigarreira e canudo-de-pito. Cinco apelidos pra uma árvore só, o que geralmente é sinal de que muita gente diferente já teve que falar dela.
Essa eu fiz no Indaiá, em Caraguatatuba.
Cinco apelidos, uma folha que de longe passa por galho inteiro e um pingo de açúcar escondido no talo. Não é pouca coisa pra uma árvore que quase todo mundo passa por baixo sem levantar a cabeça.