Abiu
Pouteria caimito
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Porto Novo
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
Essa fruta gruda beijo. Quem come abiu distraído acaba com os lábios colados um no outro, e isso tem até nome: boca de abiu. É que a fruta solta um leitinho pegajoso, uma cola natural que a planta carrega, e quem mete a boca sem cerimônia sai grudado e rindo.
Vale cada grudada. Por dentro, o abiu é uma das polpas mais gostosas que existem: translúcida, macia, doce de verdade, quase um creme. A casca é amarela, lisa e brilhante, um sol pendurado na árvore. Não acredito que tanta gente não conhece essa fruta.
A árvore é generosa de copa cheia, e gosta de calor e chuva. É fruta de quintal das boas: quem planta uma muda espera poucos anos e já começa a colher, e um pé bem cuidado dá fruta abundante por décadas.
Ela floresce discreta no comecinho do ano, com florzinhas pequenas que as abelhas visitam, e as frutas chegam no outono. Aí começa a disputa: aves, morcegos e macacos, todo mundo quer o creme doce. E a gente também, claro. Cada bicho que leva uma fruta espalha as sementes, que são grandes, ovais e tão brilhantes que parecem envernizadas.
Essa da foto encontrei num quintal em Porto Novo, em Caraguatatuba, carregada de sol amarelo.
Um dia a gente ainda prova um abiu juntos, direto do pé. Só lembra do combinado: come devagar, senão a fruta te cala a boca. Literalmente.