Dormideira-Anelada
Dipsas neuwiedi
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- Queluz
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 4
Caracol, caracol e caracol: o cardápio da dormideira quase não muda, no máximo entra uma lesma. Ela é uma especialista tão dedicada que os dentes e a mandíbula dela são moldados pra uma única tarefa: puxar o corpo molinho do caracol pra fora da concha, deixando a casquinha vazia pra trás. É como ter um talher especial pra um prato único.
Pensa na cena: a cobra encontra o caracol, firma a concha, enfia a mandíbula de baixo lá dentro e vai puxando o bicho pra fora, devagarinho. A concha fica intacta no chão da mata, como um prato limpo depois do jantar.
O turno dela é a noite. Quando escurece, principalmente depois da chuva, quando os caracóis saem pra passear, ela desce a vasculhar a vegetação baixa e os barrancos úmidos perto de riachos e trilhas. Fina, de olhos grandes, cor de bege e pardo com manchas escuras, ela some no meio de galhos e folhas.
E o nome dormideira? Vem do jeitão dela: é uma cobra mansa, que raramente tenta morder. Se alguém a perturba, ela pode simplesmente ficar imóvel um tempão, feito quem dorme, ou soltar um cheirinho ruim pra desanimar a visita. Sem veneno, sem bote, sem drama.
Essa foto fiz em Queluz, numa noite úmida, do jeito que ela gosta. Estava no meio da vegetação baixa, procurando o jantar de sempre.
E ela ainda ajuda a gente sem saber: comendo tanto caracol e lesma, segura as populações desses bichos, inclusive os que viram praga de horta. Por isso, concha vazia e limpinha no chão da mata é pista de detetive: bem capaz que a dormideira tenha jantado ali.