Lagartixa-doméstica-tropical

Hemidactylus mabouia

Grupo
Répteis
Onde foi registrada
Queluz
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Fotografias
1

A lagartixa da sua parede atravessou um oceano pra chegar aqui. Ela veio da África, de carona nos navios de antigamente, e foi se espalhando de porto em porto até morar em quase todas as casas do Brasil. Uma viajante clandestina que deu certo.

E que equipamento ela trouxe na bagagem! Os dedos dela são alargados e forrados de filamentos tão pequenos que não dá pra ver: milhões de pelinhos microscópicos que grudam em qualquer superfície. É por isso que ela anda pela parede lisa, pelo teto de cabeça pra baixo e até pelo vidro da janela, sem cair nunca.

O truque mais esperto, porém, é outro: ela descobriu a luz elétrica. De noite, escolhe um poste ou uma lâmpada acesa e fica ali de tocaia, esperando. As mariposas e os cupins de asa vêm atraídos pela luz, e ela só recolhe o jantar. A gente acende a lâmpada pra enxergar; ela acende o restaurante.

E se um predador agarra ela pelo rabo? Solta o rabo e vai embora. O pedaço fica se mexendo pra distrair o inimigo, e depois cresce um novo no lugar. Parece história de desenho animado, mas é a vida real dela.

Essa foto eu fiz em Queluz, numa noite dessas em que ela apareceu pra trabalhar perto da luz.

Hoje à noite, repara na parede perto da lâmpada. É bem capaz de ter uma dessas viajantes de tocaia, quietinha, esperando o jantar chegar voando.

Lagartixa-doméstica-tropical (Hemidactylus mabouia), répteis, fotografado em Queluz

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