Tartaruga-verde
Chelonia mydas
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Paulo
- Status de conservação
- Em perigo (EN)
- Fotografias
- 10
A tartaruga-verde é verde por dentro. O nome não vem do casco, que é oliva ou castanho: vem da cor esverdeada da gordura dela. E essa cor tem a ver com o cardápio, porque a tartaruga-verde adulta é uma pastadora do mar: passa o dia comendo capim marinho e alga, feito uma vaquinha de casco pastando debaixo d'água.
E esse pasto todo faz um bem enorme. Aparando a vegetação do fundo, ela mantém os campos de capim marinho saudáveis e produtivos, do jeito que um jardineiro cuida do gramado. Sem ela, esses campos definham.
É uma das maiores tartarugas marinhas do mundo, com casco liso e hidrodinâmico, feito pra deslizar na água. A vida dela é uma viagem em capítulos: filhote, some no mar aberto por anos, levada pelas correntes; depois, já grandinha, vem morar nas águas rasas da costa, onde tem comida à vontade.
E aí vem a parte que parece lenda, mas é ciência: na hora de desovar, a fêmea atravessa o oceano de volta pra praia onde ela mesma nasceu. Décadas depois, acerta o endereço. E o mais curioso: a temperatura da areia do ninho é que decide se os filhotes serão machos ou fêmeas. Areia mais quente, mais fêmeas.
Essa foto fiz numa praia de São Sebastião, e foi o Kaian quem viu primeiro: uma cabeça escura subindo pra respirar, perto das pedras. A gente ficou um tempão esperando ela aparecer de novo, e cada vez que aparecia era festa.
Ela ainda enfrenta perigo grande: rede de pesca, plástico no mar, praias de desova viradas em prédio. Por isso, cada saquinho plástico que não vai parar no mar é um favor direto pra ela, que pode confundir plástico com comida. Cuidar da praia é cuidar da vaquinha verde do mar.