Dormideira
Dipsas mikanii
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- Cotia
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 2
Tem uma cobra que come caracol de dentro da concha. Ela não engole a concha, não quebra nada: encaixa a boca, usa uns dentes compridos e curvos como se fossem garfinhos, e puxa o bicho mole lá de dentro, deixando a casquinha vazia pra trás. Pouquíssimas cobras no mundo sabem fazer isso.
É a dormideira. E o nome também tem história: ela ganhou esse apelido porque é calma demais, vive dormindo em qualquer lugar. Já acharam dormideira cochilando até dentro de casa. Não tem veneno, não morde, é uma das cobras mais inofensivas que existem.
De dia, ela descansa. Quando a noite cai, sai devagarinho pela vegetação baixa e pelo chão da mata, procurando o jantar: lesmas e caracóis. As manchas marrons, pretas e beges do corpo quebram o contorno dela no meio das folhas e dos galhos, e ela some na paisagem.
Se algo a assusta, o truque de defesa é soltar um cheiro forte, meio almiscarado, tipo um perfume de "me deixa em paz". Morder, que é bom, quase nunca.
Essa foto eu fiz em Cotia, num desses encontros de fim de dia em que a mata resolve mostrar um segredo.
E pensa no serviço que ela presta: comendo lesma e caracol a noite inteira, ela ajuda a equilibrar a mata e as hortas por onde passa. Uma jardineira noturna, quieta, que só quer comer caracol e tirar uma soneca.