Crustáceos

Crustacea

Grupo
Crustáceos
Onde foi registrada
Ilhabela, Bonete
Fotografias
2

Pra crescer, um crustáceo precisa tirar a armadura. Inteira. O esqueleto deles fica do lado de fora do corpo, uma casca dura que protege tudo, mas que não estica. Então, de tempos em tempos, o bicho abre a casca antiga e sai de dentro dela, molinho e indefeso, e fica escondido esperando a armadura nova endurecer, agora um número maior. É assim que cresce um caranguejo, um camarão, uma lagosta: trocando de roupa a vida inteira.

E que família é essa? Das maiores e mais espalhadas do planeta. Crustáceo é o siri, o caranguejo, o camarão, a lagosta, a craca colada na pedra, o tatuí da areia. E tem até um representante que trocou o mar pelo quintal: o tatuzinho-de-jardim é um crustáceo, o único da turma que vive a vida toda fora d'água. Quando você acha um no vaso de planta, está olhando pra um parente do camarão.

Os números impressionam: já foram descritas mais de 67 mil espécies de crustáceos, e os cientistas apostam que existe muito mais por descobrir, talvez cinco ou dez vezes esse número. No mar, eles são os animais mais abundantes e variados que existem. Todo palmo de praia, costão, poça e fundo tem crustáceo morando.

Aqui no litoral é um festival: maria-farinha correndo na areia seca, tatuí na beirinha da onda, chama-maré acenando no mangue, craca forrando pedra, camarão subindo os rios da serra. Cada praia é um condomínio deles.

Essa foto fiz na praia do Bonete, em Ilhabela, depois de uma trilha comprida pela mata. Cheguei cansado, e eles já estavam lá, trabalhando na areia como sempre.

Ah, e aquela casquinha de caranguejo que a gente às vezes acha na praia, perfeita, inteirinha? Nem sempre é um bicho que morreu. Muitas vezes é só a roupa velha, deixada pra trás por alguém que cresceu. O dono está por aí, estreando a armadura nova.

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