Guaiá-açu
Menippe nodifrons
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
O guaiá-açu carrega duas ferramentas diferentes, uma em cada braço. Uma pinça é o martelo: grossa, pesada, feita pra quebrar. A outra é a tesoura: mais fina, cortante, feita pra fatiar. Com esse kit, ele abre ostra e mexilhão como um profissional, coisa que pouquíssimos bichos do costão conseguem fazer.
Ele é um caranguejo parrudo, de carapaça marrom e redonda que se confunde com as pedras, com os dedos das pinças escuros, quase roxos. O pessoal chama a turma dele de caranguejo-pedra, e o nome cai bem: parado, ele é só mais uma rocha.
De dia fica enfiado nas fendas e tocas do costão, fundo, onde ninguém alcança. A vida acontece de noite, quando ele sai pra caçar molusco de casca dura, confiando na força dos braços.
E a turma dos caranguejos-pedra tem um superpoder de verdade: se um predador agarra a pinça, o caranguejo pode soltar ela e fugir. Dói menos do que parece, porque o braço nasce de novo: a cada troca de casca, cresce um pedaço, até a pinça nova ficar do tamanho da antiga. É perder a ferramenta hoje pra ganhar outra depois.
Esse aí da foto encontrei numa fenda do costão, aqui em Maresias, com as pinças guardando a entrada.
Martelo num braço, tesoura no outro, e peças de reposição na fábrica. Tem oficina mais bem montada que essa?