Maria-farinha
Ocypode quadrata
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- São Sebastião
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 7
A maria-farinha rosna. E o som não sai da boca: sai de dentro da barriga. Ela tem dentes no estômago, que servem pra triturar a comida, e quando um bicho chega perto demais ela levanta as pinças pra brigar e faz os dentes rangerem lá dentro, como quem avisa: sai daqui. Os cientistas descobriram isso faz pouco tempo e ficaram de queixo caído: foi a primeira vez que se viu um animal conversando com o próprio estômago.
O outro nome dela explica o resto: caranguejo-fantasma. É que ela tem a cor exata da areia e corre tão rápido, em zigue-zague, que parece sumir no ar. Você vê, pisca, e ela não está mais lá. Os olhos ficam no alto de duas hastes, feito periscópios, enxergando tudo ao redor enquanto o corpo fica rente ao chão.
A casa dela é um buraco fundo, cavado na areia seca, acima de onde a maré chega. E ela deixa a assinatura na porta: um montinho de bolinhas de areia, que ela mesma fez enquanto cavava. Achou bolinhas assim na praia? Tem maria-farinha morando ali embaixo.
De dia ela quase não aparece, fica no fresquinho da toca. A vida dela acontece de noite: sai pra catar o que a maré deixou, restinhos, bichinhos, até peixe morto. É a equipe de limpeza da praia, trabalhando enquanto todo mundo dorme.
Essa foto fiz numa praia aqui de São Sebastião, no comecinho da noite. O Kaian tentou correr atrás de uma. Perdeu feio, e ficou rindo sozinho na areia.
Da próxima caminhada na praia, olha o chão: as bolinhas de areia contam quem mora ali. E se for de noite, com lanterna, os olhos dela brilham no escuro. Aí você lembra: essa daí rosna com a barriga.