Chama-maré
Minuca rapax
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 2
O caranguejo da garra gigante tem um problema na hora do almoço: a garra grande não serve pra comer. Ela é enorme, vistosa, mas é só de enfeite e de briga. Quem trabalha na refeição é a pincinha pequena do outro lado, levando comida à boca sozinha, viagem por viagem. Por isso os machos demoram um tempão almoçando: é como comer com uma mão amarrada nas costas.
E o que a garra gigante faz o dia inteiro? Espetáculo. O macho fica na porta da toca acenando com ela num ritmo certinho, pra cima e pra baixo, tentando conquistar as fêmeas e espantar os rivais. Quando o aceno não resolve, ele ainda bate e vibra no chão do mangue, mandando tremidinhas pelo barro, um recado que os vizinhos sentem pelas pernas. As fêmeas, que têm as duas pinças pequenas, almoçam em paz, com as duas mãos.
A comida deles é o próprio barro, ou melhor, o que tem nele: eles catam punhadinhos de lama, peneiram na boca as micro-alguinhas e os restinhos que servem de alimento, e devolvem o resto em bolinhas arrumadas no chão. Onde eles almoçaram, fica um tapete de bolinhas de barro.
A vida toda segue a maré: água baixou, todo mundo sai pra comer e acenar; água subiu, cada um pra sua toca. E cavando esses túneis todos, eles vão abrindo caminhos de ar dentro do barro. É por esses buracos que o mangue inteiro respira.
Esse eu fotografei num mangue em Caraguatatuba, no meio de uma multidão de garras acenando.
Agora, quando alguém falar do caranguejo-violinista e da garra famosa, você pode contar o segredo: o violino é lindo, mas quem põe comida na mesa é a mãozinha pequena.