Tartaruga-cabeçuda
Caretta caretta
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Paulo
- Status de conservação
- Vulnerável (VU)
- Fotografias
- 3
A tartaruga-cabeçuda tem esse nome por um motivo honesto: a cabeça dela é enorme mesmo. E não é enfeite. Dentro daquela cabeçona tem um bico poderoso, um verdadeiro quebra-nozes do mar, capaz de triturar concha dura como se fosse biscoito. Caranguejo, caramujo, ouriço-do-mar: o que os outros não conseguem abrir, ela abre.
E a infância dela parece história de aventura. O filhote nasce na areia do tamanho de uma mão de criança, corre até o mar e some no oceano por anos, navegando por pistas magnéticas, como se tivesse uma bússola escondida no corpo. Vive em alto-mar, pegando carona nas correntes e se abrigando em ilhas de sargaço, aquelas jangadas de alga que boiam no oceano.
Aí vem o final que arrepia: décadas depois, já adulta, a fêmea atravessa o mar de volta e desova no mesmo trecho de praia onde nasceu. O oceano inteiro de estradas, e ela acerta o endereço da infância.
Aqui na nossa costa ela é visita constante: usa o mar da plataforma brasileira como rota de viagem e restaurante. Adultas costumam ter o casco perto de noventa centímetros, num tom marrom-avermelhado, com nadadeiras fortes de quem passa a vida remando.
Outra curiosidade de família das tartarugas marinhas: a temperatura da areia decide o futuro dos filhotes. Ninho mais quentinho gera mais fêmeas; mais fresco, mais machos.
Essa foto fiz em São Sebastião. Ver uma cabeçuda no nosso mar é lembrar que aquele bicho ali talvez já tenha cruzado o oceano mais vezes que muito navio.
Ela ainda sofre com rede de pesca, plástico e luz demais nas praias de desova, que confunde os filhotes na corrida pro mar. Então fica o trato: praia escura à noite é praia amiga de tartaruga. E quem sabe um dia a gente tem a sorte de ver uma corrida de filhotes rumo à espuma.