Zigopétalo
Zygopetalum crinitum
- Grupo
- Plantas · orquídea
- Onde foi registrada
- Paraty
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 1
Você sente o cheiro antes de ver a flor. É um perfume forte, doce, que muita gente compara com o do jacinto, e ele fica pesado no ar em volta da planta principalmente nas horas frescas do dia.
A flor combina com o perfume, mas de um jeito estranho. As pétalas e sépalas são verdes com manchas castanho-arroxeadas espalhadas, quase uma camuflagem. E aí, no meio de tudo isso, vem o labelo: branco, largo, aberto como um babador, riscado de veios roxos que saem do centro pra fora igual pincelada. É o contraste que faz a flor.
A planta é robusta pro padrão das nossas orquídeas. Bulbos ovais, folhas largas e pregueadas, de textura firme. Cresce em mata de altitude, dessas serras que vivem enfiadas na neblina, e não é exigente com o endereço: pode estar num tronco, numa pedra coberta de musgo ou direto num colchão de folha apodrecida.
E ela é nossa mesmo. Vive só na Mata Atlântica, num trecho que vai de Santa Catarina ao Espírito Santo. Fora daqui, na natureza, não existe.
A floração vem do fim do inverno pra primavera, quando as noites ainda estão frias e o cheiro viaja melhor no ar parado.
Sendo bonita e cheirosa desse jeito, ela pagou caro. Muita planta foi arrancada da mata pra virar vaso, e em alguns lugares ela sumiu. Orquídea tirada do mato quase sempre morre no vaso, e faz falta pra sempre no galho de onde saiu.
Essa eu encontrei numa mata em Paraty, e foi o cheiro que chegou primeiro. Vinha e sumia conforme o ar mexia, e eu fiquei girando no meio da trilha atrás da origem, cheirando o mato feito cachorro, até enxergar as manchas verdes no meio de todo aquele verde. Estava do meu lado o tempo todo.
Se um dia bater um cheiro doce no meio da trilha e não tiver flor nenhuma na altura dos olhos, procura mais embaixo, no musgo das pedras. Pode ser ela escondida ali.