Maxilária
Maxillaria marginata
- Grupo
- Plantas · orquídea
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 7
O montinho de pó claro no meio dessa flor parece pólen, mas não é. No labelo das maxilárias, que é a pétala onde o inseto pousa, crescem pelinhos soltos que se desprendem e se juntam num montinho, com toda a cara de um punhado de pólen. As abelhas chegam, raspam aquele pó e levam embora.
E não é golpe: os cientistas foram analisar e descobriram que esse pó falso é comida de verdade, cheio de amido e proteína, bom pra alimentar as larvas lá no ninho. Enquanto a abelha raspa, a orquídea cola nela o pólen verdadeiro. Os dois saem ganhando, cada um achando que fez o melhor negócio.
Essa aqui é uma maxilária compacta, de bulbos coladinhos um no outro, cada um segurando uma ou duas folhas duras. As flores nascem sozinhas, saindo da base dos bulbos, e são espessas, quase de cera. Não é frescura da planta: essa grossura toda é o que segura o tranco de chuva, calor e vento lá em cima, onde ela vive.
Porque ela mora no galho, no meio da luz filtrada da mata úmida, sem tirar nada da árvore. As raízes se agarram na casca e no musgo, e é dali, da umidade do ar e do que a chuva traz, que ela se vira.
Essa fiz na trilha da cachoeira, aqui em Maresias, num tronco na altura do ombro. Passei por ali umas cem vezes antes de reparar que tinha uma orquídea me esperando.
Todo mundo saiu daquela flor achando que levou vantagem, e todo mundo levou mesmo. Não é sempre que a natureza fecha negócio assim.