Catleia-gutata
Cattleya guttata
- Grupo
- Plantas · orquídea
- Onde foi registrada
- São Paulo
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 16
O perfume dela tem hora marcada. É nas horas mais quentes do dia que muitas dessas plantas soltam o cheiro, quando o sol bate forte no galho e a mata inteira parece parada.
A flor é uma das mais bonitas que a nossa mata produz. As pétalas são estreladas, num verde que puxa pro bronze, e vêm salpicadas de manchas roxo-escuras, como se alguém tivesse chacoalhado um pincel em cima. No meio, o labelo, aquela pétala diferente que serve de pista de pouso pros insetos, é branco a rosado, riscado de veias arroxeadas. Contraste na medida.
E não é planta pequena. Cada bulbo alongado sustenta duas folhas duras no alto, e uma touceira bem estabelecida pode passar de um metro. Ela vive agarrada em árvores de mata litorânea e de restinga, escolhendo galhos com luz e vento, aguentando a brisa salgada que vem do mar.
A época de olhar é o fim do verão entrando no outono, mais ou menos de março a maio, quando as hastes se levantam carregadas de botões.
Agora, a parte que dói. Justamente por ser tão bonita, essa orquídea virou alvo. Durante séculos, gente arrancou planta da mata pra vender e pra colecionar, e hoje ela aparece nas listas de espécies vulneráveis. Some do galho e não volta sozinha, porque orquídea leva anos pra se estabelecer.
Por isso encontrar uma florida na natureza, no tronco onde ela nasceu, tem outro peso. Não é a mesma coisa que ver uma no balcão de uma loja. Essa foi em São Sebastião, e eu fiquei um tempão embaixo da árvore só olhando pra cima.
Se você achar uma dessas na mata, faça o que eu fiz: olhe, cheire, fotografe, e deixe ela onde está. É lá que ela funciona.