Gravatá
Wittrockia cyathiformis
- Grupo
- Plantas · bromélia
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 3
Quarenta e três plantas dessas foram medidas uma a uma, folha por folha, espinho por espinho, pra responder uma pergunta: ela fica diferente conforme cresça em cima de uma árvore, agarrada numa pedra ou plantada no chão da mata? A resposta foi não. Sai praticamente igual nos três casos.
O que muda a cara dela é outra coisa, e os pesquisadores só descobriram porque compararam duas florestas de uma vez. Na floresta densa, aquela quente e bem fechada, a planta faz folha larga, com espinho graúdo na borda. Na floresta de araucária, mais fria, a folha sai estreita e o espinho, miúdo. Mesma espécie, dois jeitos de ser, e quem decidiu foi o clima do lugar, não o galho.
Só uma coisinha mudou conforme onde ela cresce: a base da folha, aquela parte larga que se encaixa com as outras e monta o copo. Nas plantas que vivem em cima das árvores, essa base é mais comprida do que nas que ficam no chão. Foi a única medida em que o lugar de morar pesou.
Por fora, ela é uma taça grande de folhas verdes e rígidas, com espinhos nas bordas, guardando água de chuva no meio. Nas bromélias de tanque, essa poça no coração da planta vira abrigo e berçário: bicho miúdo de água, larva de inseto e às vezes uma perereca pequena.
A flor dela fica escondida no fundo da taça, pequena e clara, cercada por folhas coloridas que fazem as vezes de moldura. Quem passa e olha só de cima nem desconfia que a planta está florida.
Ela é brasileira e ponto: cresce na Mata Atlântica, de Minas Gerais até Santa Catarina, e em lugar nenhum do mundo fora daqui. Essa foto fiz numa trilha aqui em Maresias, num começo de janeiro, com tudo pingando.
Essa é uma planta que não se entrega de longe. Tem que chegar perto e espiar dentro da taça, porque é lá que acontece a parte boa.