Araucária
Araucaria angustifolia
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Campos do Jordão
- Status de conservação
- Criticamente em perigo (CR)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 11
No Sul do Brasil todo mundo aprende que quem planta pinheiro é a gralha-azul. Os pesquisadores da Embrapa levantaram um detalhe chato para a lenda: a gralha-azul quase não desce ao chão. Ela vive lá em cima, na copa.
Quem enterra pinhão de verdade é uma prima dela, a gralha-picaça, que esconde a semente no solo para comer depois. E, junto com ela, a cutia, apontada como uma das melhores plantadoras de araucária que existem, pelo mesmo motivo: esconde comida na terra e não lembra mais onde botou.
Boa parte dessa floresta nasceu do esquecimento dos bichos.
Outra coisa que pouca gente sabe: nem toda araucária dá pinhão. Existem árvores macho e árvores fêmea, em pés separados, e só as fêmeas montam aquelas pinhas enormes. Um pé plantado sozinho começa a produzir lá pelos dez ou quinze anos de idade. No meio da mata, onde a disputa por luz é maior, demora perto de vinte. E tempo é o que não falta pra ela: uma araucária vive, em média, de duzentos a trezentos anos, e tem quem passe dos quinhentos.
Dá para reconhecer uma delas de longe, só pelo desenho contra o céu: o tronco sobe reto e a copa fica lá no alto, aberta e achatada, como uma mesa apoiada numa coluna.
Ela é daqui do Sudeste e do Sul, de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Vive nas matas frias de serra e nos campos de altitude, aquele campo aberto lá em cima, onde o vento não para e faz frio de manhã.
E ela apanhou muito. No século passado a araucária virou madeira em escala industrial, e restou algo perto de três por cento da floresta que existia. Na lista mundial de espécies ameaçadas ela era considerada vulnerável em 1998 e hoje está no degrau mais grave antes de desaparecer, o de criticamente em perigo.
Essa eu fiz em Itamonte, na Serra da Mantiqueira, em Minas.
Quando você segurar uma pinha de araucária, lembra que ali dentro tem dezenas de pinhões e que quase nenhum vira árvore. Os que viram, quase sempre, foram enterrados por um bicho distraído.