Chupa-chupa
Aechmea nudicaulis
- Grupo
- Plantas · bromélia
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 13
Do lado de fora é areia seca e sol de rachar. Do lado de dentro dessa bromélia é berçário.
Pesquisadores foram contar as mudinhas de uma árvore em especial, a clúsia, numa restinga do litoral, e encontraram quase todas no mesmo endereço: dentro do tanque de água de duas bromélias, e uma delas é essa aqui. De cada dez mudinhas de clúsia achadas ali, sete estavam dentro da bromélia, crescendo em cima dela em vez de crescer na areia.
Faz todo sentido. A areia da restinga é um forno: o sol bate direto, a água escorre embaixo, nada segura a umidade. Já entre as folhas da bromélia tem sombra, tem folha caída apodrecendo e virando adubo, e tem água de reserva parada. Árvore grande da restinga já começou a vida ali dentro.
E ela pode fazer isso porque aguenta o que quase nenhuma planta aguenta: vento salgado, sol de rachar, pedra do costão sem um dedo de terra. Se agarra num tronco ensolarado ou direto na rocha, se instala, e depois dela o lugar fica habitável pros outros.
Água ali não é pouca, não. Num levantamento feito em várias restingas ao longo da costa brasileira, os pesquisadores contaram quase sessenta mil bromélias de tanque, de várias espécies somadas, e mediram cerca de dezessete mil litros de água guardados nas folhas delas. É uma caixa d'água espalhada em milhares de pedacinhos pela mata.
Na floração ela avisa de longe: as folhas de cima da haste ficam avermelhadas e as flores saem amarelas. Beija-flor e inseto chegam atrás do néctar e saem com o pó das flores grudado no corpo.
Essa foto é daqui de Maresias mesmo. Ela é comum no nosso litoral, dá pra achar sem procurar muito.
Quando você vir uma bromélia agarrada numa pedra perto do mar, chega perto e espia dentro dela. Pode ter uma árvore inteira começando ali.