Bromélia-ponta-preta
Vriesea philippocoburgi
- Grupo
- Plantas · bromélia
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Paúba
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 6
Tem bromélia que fica do tamanho de gente, e essa é uma delas.
A roda de folhas já nasce larga, com cada folha passando de meio metro. E quando ela decide florir, ergue a floração pra cima e a planta inteira alcança a altura de uma pessoa.
O que sobe não é uma haste simples: é um candelabro. A florada se abre em uns vinte e cinco braços, e o vermelho vivo está nas folhinhas coloridas que acompanham cada braço, com as flores amarelas aparecendo no meio delas. Beija-flor não deixa passar: chega pro néctar e sai com o pó das flores no corpo, levando pra próxima planta.
E o espetáculo não é de um dia só. Uma planta dessas carrega perto de cento e cinquenta flores, mas abre uma meia dúzia por dia. Vai acendendo aos poucos, então o candelabro fica ligado por semanas.
Agora repare na ponta das folhas. A folha é verde do começo ao fim e, bem lá na ponta, arremata num roxo tão escuro que de longe parece preto, como se a planta tivesse pintado as unhas. É daí que vem o apelido: bromélia-ponta-preta.
E toda essa planta grande mora em cima de outra planta. Ela se encaixa na forquilha da árvore, lá onde o galho abre em dois, e fica. Não é parasita, não chupa seiva, não fura o tronco. Usa o galho de sacada. A comida dela vem da chuva e das folhas que caem dentro dela e apodrecem ali mesmo.
O tanque no meio não fica vazio. Nas bromélias de tanque da Mata Atlântica ele vira um mundo em miniatura: larva de mosquito, bicho miúdo de água e às vezes girino de perereca crescendo lá dentro, no alto de uma árvore, longe de qualquer poça no chão.
Essa eu fiz na Paúba, aqui do lado, numa mata de sombra fresca.
Uma planta do tamanho de gente, morando de carona num galho, com as unhas pintadas de preto e um candelabro que fica aceso semanas seguidas. A mata tem dessas.