Iguaninha-rajada
Urostrophus vautieri
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- Cabreúva
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Fotografias
- 3
O apelido desse lagarto é lagarto-preguiça. E ele faz por merecer: o papa-vento aposta tudo na arte de não se mexer. Enquanto outros lagartos disparam ao menor susto, ele congela, confiando na cor acastanhada que o mistura perfeitamente aos galhos. Você pode passar a um palmo dele e não ver nada.
O corpo dele é feito pra esse jogo: esguio, de pernas compridas, com uma cauda enorme, maior que o resto do corpo, boa pra dar equilíbrio nas moitas e galhos onde ele passa o dia. Os olhos grandes ficam de guarda: veem o inseto chegando e o predador também.
O cardápio é de caçador paciente: formiga, grilo, besouro e outros bichinhos, capturados em arrancadas certeiras entre longos períodos de estátua. Um lagarto que trabalha em câmera lenta e ataca em câmera rápida.
E se a estratégia da estátua falhar, ele tem o plano B clássico dos lagartos: abre mão de um pedaço da cauda, que fica se contorcendo no chão pra distrair o inimigo, e escapa. Depois, com calma, a cauda cresce de novo.
Esse é um lagarto só nosso: existe apenas no Brasil, nas formações de mata e bordas de vegetação. A fêmea bota até uma dúzia de ovos em abrigos protegidos.
Essa foto fiz em Cabreúva, e quase passei direto: ele estava fazendo o que faz de melhor, ou seja, nada, absolutamente imóvel num galho. Fica a lição do papa-vento pra gente levar pras trilhas: quem para e observa com calma acaba enxergando o que a pressa nunca vê.