Cravo-do-mato

Tillandsia stricta

Grupo
Plantas · bromélia
Onde foi registrada
Ilhabela, Perequê
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
2

Poeira e neblina. É disso que essa planta se alimenta, e não é força de expressão.

Ela vive agarrada em galho, em cerca, em pedra, e as raízes dela servem só pra segurar, como uma mão fechada no apoio. Comida ela pega pelo ar. As folhas são cobertas de escamas tão pequenas que só de bem perto dá pra enxergar, e é por ali que ela bebe a umidade do ar e recolhe o pouco de alimento que chega junto com a poeira e com a chuva. É essa cobertura que deixa a folha com aquele tom acinzentado.

Mesmo grudada na árvore, ela não tira nada da árvore. Não fura, não suga, não atrapalha. Só pega carona no galho pra ficar mais perto da luz.

Na hora de florir, a planta se transforma. Solta um cacho pequeno onde as folhas viram rosa forte, quase vermelho, e dali saem flores de um violeta puxando pro azul. Um tufo cinzento que passou o ano inteiro parecendo mato seco vira, de repente, a coisa mais colorida do galho. Beija-flor e insetos pequenos aparecem pra buscar o néctar, a água doce guardada no fundo da flor. Aqui ela é conhecida como cravo-do-mato.

Depois vem a parte que explica por que ela está em tudo quanto é canto. A semente dela tem um penacho de fios, igual à do dente-de-leão, e sai voando. Uma rajada de vento leva a próxima geração pro outro lado do morro. A planta não anda, mas viaja.

Essa foto eu fiz no Perequê, em Ilhabela. Foi o Kaian que perguntou o que era aquilo grudado no galho, e eu tive que explicar que era uma planta que mora no ar.

Repara nas cercas e nos galhos baixos quando estiver andando por aí. Aqueles tufos cinzentos que parecem mortos estão bem vivos, esperando a vez de ficar rosa.

Cravo-do-mato (Tillandsia stricta), plantas, fotografado em Perequê, Ilhabela Cravo-do-mato (Tillandsia stricta), plantas, fotografado em Perequê, Ilhabela

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