Quaresmeiras
Tibouchina
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Paulo, Vila Santo Estevão
- Fotografias
- 10
Essas árvores foram batizadas pelo calendário da igreja. Elas costumam abrir as flores roxas mais ou menos na época da Quaresma, os quarenta dias que antecedem a Páscoa, e o roxo é justamente a cor que a igreja usa nesse período. Deu quaresmeira. Uma árvore que ganhou nome por causa de uma data.
Nem todas dessa turma se chamam assim. Dependendo da região, do tamanho e da cor da flor, as parentes viram jacatirão ou manacá. São todas da mesma família, e é uma família enorme, dessas que têm parente para todo lado no Brasil.
Agora, o segredo desse grupo está dentro da flor, e é preciso chegar bem perto para entender. Na maioria das flores comuns, a abelha pousa e o pólen já está exposto, à mão. Nessas aqui não. O pólen fica trancado dentro de um tubo fechado, com um furo minúsculo só na pontinha, e não sai nem se você sacudir a flor.
Então a abelha faz outra coisa: abraça o tubo, trava as asas e vibra o corpo inteiro, como quem toca um instrumento. A flor chacoalha por dentro e o pólen jorra pelo furo, direto no corpo dela. Abelha pequena demais não dá conta. Isso é serviço de abelha grande, dessas gordas e barulhentas que a gente ouve chegar antes de ver.
Fora isso, as árvores desse grupo são o tipo de planta que chega primeiro. Quando cai uma árvore velha e abre uma clareira, ou quando um terreno pelado começa a se recuperar, elas estão entre as primeiras a brotar no lugar. Por isso são muito usadas em projetos de replantio de floresta no Sul e no Sudeste: crescem depressa, seguram o terreno e fazem sombra para as mais lentas virem atrás.
A dessa foto eu encontrei na Vila Santo Estevão, em São Paulo, num fim de fevereiro. Era Quaresma mesmo, e ela estava cumprindo o calendário direitinho.
Fica uma tarefa para o próximo passeio: quando encontrar uma dessas florida, chega perto e escuta. Se ouvir um zumbido diferente, mais grave que o normal, é uma abelha tocando a flor para roubar o pólen dela.