Nêspera
Eriobotrya japonica
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Paulo, Vila Antonina
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 7
Enquanto quase todas as outras frutíferas estão paradas esperando o calor, essa aqui está florida. A nêspera faz tudo fora de hora: abre as flores no outono e no começo do inverno, e entrega a fruta no fim do inverno e na entrada da primavera. É uma das pouquíssimas frutas que amadurecem justamente quando o pomar está vazio.
E tem outra confusão no currículo dela. O nome científico diz que é japonesa, e ela não é. Nasceu no sudeste da China. Foi levada para o Japão há mais de mil anos, os japoneses gostaram tanto que passaram séculos melhorando a planta, e quando os europeus finalmente conheceram a fruta, conheceram pelo Japão. Batizaram errado, e ficou errado até hoje.
A flor é branca, pequena, perfumada, meio escondida no meio de umas folhas grandes e duras. Como ela abre num período em que quase não há flor por perto, acaba virando ponto de encontro: as abelhas aparecem porque não tem muito para onde ir.
A fruta é amarela puxando para o laranja, macia, ao mesmo tempo doce e azeda, e dentro dela vêm sementes marrons, grandes e lisas, que ocupam boa parte do espaço. Essas sementes não se comem: elas têm substâncias que o corpo transforma em cianeto. A polpa madura, essa sim, é boa e é segura.
O pé dessa foto está na Vila Antonina, em São Paulo. Foi o Kaian quem achou primeiro, catando as que tinham caído na calçada.
E tem uma coisa que quase ninguém sabe: a nêspera não é brasileira, mas já está bem mais solta do que parece. A lista oficial da flora do Brasil registra a espécie como naturalizada em dezoito estados, ou seja, ela já não depende de ninguém plantar. Do quintal ela pulou o muro, e hoje nasce sozinha até dentro de mata.