Pacari
Lafoensia pacari
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Paulo, Vila Santo Estevão
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 8
As flores dessa árvore só abrem quando o sol já está indo embora. E quem chega para visitar não é abelha nem beija-flor: é morcego.
Tem lógica em cada detalhe. A flor é grande e robusta, de um branco puxado para o amarelo, com um monte de estames espetados que fazem ela parecer um pincel. Branco é a cor que se enxerga no escuro. E dentro tem néctar de sobra, muito néctar, porque morcego é grande e come com vontade.
O bicho chega voando no meio da noite, enfia a cara na flor para beber, sai com o rosto empoado de pólen e vai para a próxima árvore. Sem querer, leva o pólen junto e faz o serviço. Foi um casal de pesquisadores brasileiros, os Sazima, que sentou no escuro para ver isso acontecer e descreveu a cena nos anos 1970.
O nome mais bonito dela é dedaleiro, e veio do fruto: uma cápsula de madeira dura, com formato e tamanho parecidos com os de um dedal de costura. Quando seca, ela abre e larga as sementes, que são leves e vão embora no vento.
Ela também tem fama entre quem vive no cerrado. A casca é uma das mais usadas na medicina caseira do interior, principalmente em Mato Grosso, e virou assunto de laboratório: existem estudos publicados testando os extratos da planta. Não é receita para copiar em casa, é uma pista de quanto ainda há para aprender com as plantas daqui.
Só que essa árvore não é da mata do litoral. Ela é do cerrado e das matas que acompanham os rios lá no interior, inclusive no interior de São Paulo. E foi na capital que eu topei com essa, na Vila Santo Estevão, a uma distância enorme do campo aberto de onde ela veio.
Dá o que pensar: uma árvore que abre a flor de noite, no horário do morcego, no meio do concreto.