Uva-do-Japão
Hovenia dulcis
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Paulo, Vila Santo Estevão
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 7
A parte doce da uva-do-Japão não é o fruto. É o cabinho que segura o fruto.
O fruto de verdade é uma bolinha seca do tamanho de uma ervilha, que racha quando amadurece e mostra até três sementes duras lá dentro, pretas e lustrosas. Quem engorda é o galho fino que sustenta essa bolinha: ele incha, se retorce, fica cor de canela e vira açúcar puro, com gosto que lembra passa. A árvore transformou o suporte em isca.
E a isca funciona. Bicho de todo tipo vem comer o cabinho doce e leva junto as sementes que estão penduradas na ponta, soltando elas longe do pé que as gerou. Gado come, gente come, e já fizeram até bebida fermentada com esses cabinhos.
Só que essa árvore não é daqui. Veio do leste da Ásia, foi plantada no Brasil pela sombra e pelo doce, e escapou do quintal. Hoje a Flora e Funga do Brasil registra ela como naturalizada em nove estados e no Distrito Federal, do Rio Grande do Sul à Bahia, sempre em terreno de Mata Atlântica.
Naturalizada é o nome bonito. O nome feio é invasora, e ela é uma das piores. Em fragmentos de floresta no Alto Uruguai, pesquisadores foram medir a invasão dela; em Curitiba, mapearam quais áreas verdes correm mais risco de serem tomadas; em Santa Catarina, ela é uma das exóticas invasoras com mais registros de ocorrência do estado.
Tem um detalhe que explica a vitória. As folhas e os cabinhos doces dela soltam substâncias que atrapalham a germinação de outras plantas ali embaixo. Ela não só cresce rápido: ela dificulta a vida de quem tenta crescer perto.
Essa eu fotografei em São Paulo, no meio da cidade, onde ela virou paisagem de calçada sem ninguém desconfiar de nada.
Por aqui ela ganhou uma coleção de apelidos: passa-japonesa, caju-japonês, mata-fome, tripa-de-galinha. Muita gente conhece o doce. Quase ninguém sabe que está comendo o cabo de uma árvore fugida.