Liparis nervosa

Liparis nervosa

Grupo
Plantas · orquídea
Onde foi registrada
Queluz
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
2

Essa plantinha do chão da nossa mata é a mesma que nasce nas matas quentes do outro lado do mundo. Não é uma parecida, é ela mesma, e tem gente que diz que é a orquídea mais espalhada do planeta inteiro. O vento levou, e ela foi.

Ela é das poucas orquídeas que a gente encontra no chão. A maioria mora em cima de árvore, lá na altura, disputando luz. Essa fica embaixo, na sombra do sub-bosque, onde o solo é fofo de folha apodrecida e a umidade nunca vai embora de vez. Beira de trilha, clareira mansa, canto abrigado.

As folhas nascem de baixo, largas, verdes e brilhantes, com as nervuras marcadas de ponta a ponta. Parecem leques abertos. Do meio delas sobe a haste, e é aí que ela entrega a cor: a haste vem tingida de roxo, com quinas que parecem asinhas nas laterais.

Porque em cima vêm dezenas de flores pequenas, roxas escuras, uma atrás da outra, enfileiradas. Cada uma tem pouco mais de um centímetro. De longe é discreta a ponto de passar batido. De perto é outra coisa: o lábio é largo demais pro próprio tamanho, virado pra baixo como um babador, e bem no meio da flor aparece uma peça verde, clarinha, que salta no meio de tanto roxo.

Repare no contraste, porque é ele que faz a flor. Roxo escuro em volta, verde no centro, tudo isso numa flor que cabe na unha do seu dedinho. É o tipo de detalhe que só quem se abaixa vê.

A floração é de fim de outono, maio e junho, quando a mata já esfriou e tem pouca flor concorrendo com ela.

Essa eu fiz numa mata em Queluz, agachado, porque não tem outro jeito de fotografar quem vive na altura do tornozelo.

Fica a dica pra próxima trilha de inverno: olhe pro chão. Tem orquídea lá embaixo, e ela não faz a menor questão de ser vista.

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