Capanêmia

Capanemia micromera

Grupo
Plantas · orquídea
Onde foi registrada
Queluz
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
2

A planta inteira cabe na ponta do dedo. Não é a flor: é a planta toda, com raiz, folha e tudo. O bulbinho dela tem uns cinco milímetros, do tamanho de um grão de pimenta, e as folhas são canudinhos verdes de dois centímetros, duros e roliços.

E aí vem a parte que ninguém espera de uma coisa desse tamanho: ela cheira. Cheira forte, cheiro bom, dá pra sentir de perto sem precisar encostar o nariz. Uma touceira dessas florida perfuma o ar em volta do galho onde mora.

As flores são branquinhas, com um toque amarelado no lábio, e nascem em cachinhos curtos, várias juntas. Cada uma é menor que uma unha. Pra ver direito precisa chegar o olho bem perto, e aí aparece um acabamento de joia: pétalas certinhas, simétricas, quase transparentes quando o sol passa por trás.

Ela mora em galho fino de árvore, lá no alto, e não rouba nada de quem a hospeda. Usa o tronco só de apoio, como quem aluga uma varanda com vista. Come o que a chuva escorre e o que apodrece na casca.

Floresce no inverno, julho e agosto, quando a mata está mais parada. É a época da neblina na serra, e é justamente essa umidade no ar que ela precisa pra viver, já que não tem raiz na terra pra puxar água.

Essa foi em Queluz, num galho na altura do rosto. Só notei porque a luz bateu nas flores.

Não existe foto que dê conta do tamanho real dessa coisa. Numa tela ela fica grande, e a graça dela é exatamente o contrário: ser miúda assim e mesmo assim caprichar em cada detalhe, pendurada num galho qualquer, sem plateia nenhuma.

Capanêmia (Capanemia micromera), plantas, fotografado em Queluz Capanêmia (Capanemia micromera), plantas, fotografado em Queluz

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