Elleanthus brasiliensis
Elleanthus brasiliensis
- Grupo
- Plantas · orquídea
- Onde foi registrada
- Queluz
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
Encosta o dedo nessa orquídea e o dedo sai grudento. Quase toda a espiga de flores dela vem coberta por uma gosma transparente, abundante, que a planta produz de propósito. Cientistas foram analisar aquilo e encontraram uma mistura de substâncias que seguram água e que provavelmente servem de escudo contra bicho faminto e contra micróbio. Ou seja: ela se defende com a própria gosma. É esquisito de descrever e genial de funcionar.
A floração dela é diferente de tudo. Em vez de flores espaçadas na haste, ela junta dezenas de flores minúsculas espremidas numa espiga compacta, no alto do caule. O resultado parece um pincel colorido enfiado no meio das folhas verdes.
E ela tem um sócio só. Essa orquídea é polinizada por beija-flor, e é especialista mesmo: onde o beija-flor certo não vive, ela não se reproduz. Toda aquela produção de flor e de gosma está montada em cima de uma aposta única. Se o passarinho sumir da região, a planta fica bonita e estéril.
Os caules dela são eretos, feito caniços, com folhas duras distribuídas ao longo do eixo. Vive agarrada em tronco e galho forrado de musgo, na mata de encosta, onde o ar fica úmido praticamente o ano inteiro. Não tira nada da árvore, usa só o apoio.
O momento de ver isso acontecendo é janeiro, no auge do verão.
Essa foi em Queluz, subindo a serra. Bati o olho numa mancha acesa lá no tronco e achei que fosse bromélia. Cheguei perto e era isso: dezenas de flores espremidas num tufo só.
Se um dia você encostar numa espiga dessas e o dedo sair grudando, não sai limpando na roupa. Aquela gosma é a armadura dela.