Ingá-feijão
Inga marginata
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Paulo, Vila Antonina
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 6
Sabe o que tem dentro dessa vagem? Algodão-doce. O ingá-feijão parece um feijão comprido pendurado na árvore, mas quem abre a vagem encontra as sementes embrulhadas numa polpa branca, fofinha, docinha, que parece algodão. Eu amo essa fruta: é a mata servindo doce em embalagem de feijão.
E o parentesco com o feijão é de verdade. O ingá é da família das leguminosas, prima do feijão mesmo. Só que em vez de encher a vagem de grão duro, ele encheu de doce, e fez disso o seu negócio: bicho que abre a vagem come a parte fofa, engole a semente junto e vai plantar ingá longe dali. Macaco adora, quati também, e as aves não perdem.
A árvore ainda faz um trabalho invisível: nas raízes, ela abriga bactérias que puxam adubo do ar e devolvem pro chão. Onde tem ingá, a terra vai ficando mais forte. Uma árvore que dá doce e ainda aduba o quintal.
A flor dela é um pincelzinho branco perfumado, e o expediente é dobrado: de dia vêm abelhas e beija-flores, de noite entram em cena mariposas e morcegos. E o ingá-feijão quase não tira férias: passa mais de meio ano entre flores e vagens, do inverno até o verão.
Essa foto fiz num canto de rua na Vila Antonina, em São Paulo. É disso que eu gosto no ingá: ele não precisa de mata intocada, se ajeita na beira de rio, na calçada, no meio da cidade.
Agora você já sabe o segredo: nem toda vagem guarda feijão. Algumas guardam sobremesa.