Jacaré-do-papo-amarelo
Caiman latirostris
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- Cananéia
- Fotografias
- 3
Sabe como a mãe jacaré leva os filhotes recém-nascidos até a água? Na boca. Aquela mesma boca cheia de dentes que assusta todo mundo vira um berço: ela recolhe os filhotes com todo o cuidado, um por um, e carrega cada um até a beira. Se algum tem dificuldade de sair do ovo, ela ainda ajuda a quebrar a casca.
Esse é o jacaré-do-papo-amarelo, e o nome já entrega o visual: a garganta dele puxa pro amarelo. Mas o que ele tem de mais especial mesmo é o focinho, o mais largo entre todos os jacarés e crocodilos do mundo. O nome científico, Caiman latirostris, quer dizer justamente isso: focinho largo.
E esse focinho largão não é enfeite. É um quebra-nozes. Com ele, o jacaré tritura caramujos e outros bichos de casca dura que vivem no fundo da água. Comendo caramujo atrás de caramujo, ele acaba ajudando a gente sem saber: alguns desses caramujos passam doenças pras pessoas, e o jacaré mantém a turma deles sob controle. Um vigia de pântano trabalhando de graça.
Ele vive em qualquer canto com água por perto: rio, brejo, lagoa e até no mangue, ali onde o rio encontra o mar. E vive muito: chega perto dos cinquenta anos.
Essa foto eu fiz em Cananéia, lá no meio do mangue, e confesso que fiquei um bom tempo parado, só olhando aqueles olhos na linha d'água.
Se um dia você avistar um, repara: quase sempre o que aparece é só o alto da cabeça e os olhos, boiando feito dois periscópios. O resto do bicho, e o focinho quebra-nozes, fica escondido embaixo da água, esperando.