Guaricana-uva-açú

Billbergia distachia

Grupo
Plantas · bromélia
Onde foi registrada
Pedra Selada
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Endêmica do Brasil
Sim
Endemismo regional
Sim
Fotografias
2

Essa bromélia não levanta a flor. Ela deixa cair.

Do meio da roda de folhas desce um cacho pendurado, com as folhas da base cor-de-rosa e poucas flores compridas, esverdeadas, cada uma com a ponta azul. Fica tudo de cabeça pra baixo, balançando no galho a cada vento.

E é melhor não piscar. As bilbérgias, o grupo dela, são conhecidas por uma florada relâmpago: em pouco mais de uma semana a haste já murchou. A planta passa o ano inteiro quieta, verde, sem chamar atenção, e gasta o espetáculo todo em sete, dez dias.

Depois da flor vem o fruto, uma baga, e o freguês é o passarinho: ele come a polpa e voa com as sementes na barriga, plantando a próxima bromélia num galho bem longe dali. Em algumas regiões chamam a planta de guaricana-uva-açu, e açu, em tupi, quer dizer grande.

As folhas são rígidas, com espinhos pequenos na borda, e crescem apertadas formando um tubo alto. Ela vive em tronco, em galho ou em pedra úmida, aproveitando a luz que passa entre as copas. É planta brasileira, do Sudeste e do Sul, e a casa dela é a nossa mata.

Essa foi na Pedra Selada. Eu estava sozinho na mata quando dei de cara com o cacho pendurado, e levei um tempo até entender que aquilo era flor.

Então fica a dica: se você topar com uma bilbérgia de cacho caído, olha bem naquele dia. Semana que vem pode não ter mais nada pra ver.

Guaricana-uva-açú (Billbergia distachia), plantas, fotografado em Pedra Selada Guaricana-uva-açú (Billbergia distachia), plantas, fotografado em Pedra Selada

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