Cajá
Spondias mombin
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 2
Cajá maduro a gente não colhe: espera cair. A fruta amadurece lá no alto da cajazeira, que é árvore grande de verdade, e quando chega no ponto a própria árvore entrega no chão. Aí é só catar, ainda cheirosa e quentinha de sol.
Eu amo essa fruta. A casca amarela é perfumada, e a polpa é aquele equilíbrio raro: ácida e docinha ao mesmo tempo, em volta de um caroço grandão. Vira suco, picolé, geleia, e no Norte do país ela atende pelo nome de taperebá.
A cajazeira tem um jeito curioso de florir: ela solta boa parte das folhas antes, e os cachos de flor aparecem nos galhos meio pelados, bem na virada da estação seca pra chuvosa. É como se ela limpasse o palco antes do espetáculo.
E a fila do cajá é democrática: aves, macacos e morcegos comem e espalham as sementes. Onde a cajazeira cresce na beira de rio, até peixe come cajá que cai n'água. Fruta que alimenta bicho de pena, de pelo e de escama, tudo junto.
O pé que fotografei é aqui de Maresias. A Déia sentiu o cheiro das frutas caídas antes mesmo de a gente enxergar a árvore.
O auge é no coração do verão, de janeiro a março. Verão que se preze, por aqui, tem cheiro de cajá no chão.